Kid Vinil: o legado do papa da pesquisa musical brasileira
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Tem gente que ouve música. E tem gente que dedica a vida a entender, garimpar e compartilhar música. Kid Vinil foi do segundo tipo. Para quem coleciona vinil no Brasil, o nome dele é quase sagrado.
Este texto é uma homenagem. Uma forma de manter viva a memória de alguém que ajudou a moldar o gosto musical de gerações inteiras.
Eu conheci o Kid Vinil ainda adolescente, nos programas da MTV. No começo era só aquele cara que apresentava clipes diferentes. Mas aos poucos, mergulhando no punk, nos discos e na cultura pop, fui entendendo o tamanho do artista e do pesquisador que ele era. Esse texto também é uma forma de retribuir o que aprendi com ele.
Quem foi Kid Vinil
Kid Vinil era o nome artístico de Antônio Carlos Senefonte. Nasceu em Cedral, interior de São Paulo, em 10 de março de 1955. Cantor, compositor, radialista e jornalista, ele construiu uma carreira que atravessou o palco, o rádio, a televisão e a pesquisa musical.
O apelido já dizia tudo. Vinil não era só o formato que ele amava. Era a identidade dele.
O Magazine e a cena dos anos 1980
A fama veio com a banda Magazine, no começo dos anos 1980. Como vocalista, Kid Vinil emplacou músicas que ficaram na memória do país, como “Tic Tic Nervoso”, “A Gata Comeu” e “Sou Boy”.
Antes do Magazine, ele já estava na estrada. Passou pela banda Verminose, ligada ao punk e ao rockabilly, e foi figura ativa da cena punk paulista, organizando shows e divulgando bandas que ninguém mais olhava.
Essa vontade de divulgar o que era novo e underground marcaria toda a sua trajetória.
O comunicador: rádio, TV e a MTV
Kid Vinil não ficou só na música. Ele virou um dos grandes comunicadores musicais do Brasil.
Passou pela televisão em programas como “Boca Livre”, na TV Cultura, e “Mocidade Independente”, na Band. Mas foi como VJ da MTV que muita gente o conheceu, apresentando atrações dedicadas a videoclipes e a sons fora do circuito comercial.
No rádio, fez o que fazia de melhor: garimpar. Apresentou programas dedicados ao rock e às bandas alternativas, levando para o ar o que não tocava em lugar nenhum.
O papa da pesquisa musical
Aqui mora a parte mais importante do legado. Kid Vinil tinha um conhecimento enciclopédico de música. Ele não decorava charts. Ele entendia conexões, influências, raridades e histórias por trás das gravações.
Em 2008, lançou o “Almanaque do Rock”, reunindo décadas de história do gênero desde os anos 1950. É o tipo de obra que só alguém com uma vida inteira de pesquisa consegue escrever.
E não era só conhecimento de livro. O Kid foi um colecionador voraz, daqueles que vivem rodeados de discos e tratam cada bolacha como parte de uma história maior. O acervo dele era a matéria-prima da pesquisa.
Para quem coleciona, ele representava o ideal: a pessoa que ouve tudo, lembra de tudo e compartilha com generosidade. O oposto do segredo de garimpeiro. Foi esse espírito de colecionismo, de caçar e preservar a música, que ajudou a manter viva a cultura do vinil no Brasil mesmo nos anos em que o formato parecia esquecido.
O companheiro de uma vida
Por muito tempo, o Kid foi retratado como uma figura solitária. Não era verdade. Ele dividiu cerca de 30 anos da vida com o advogado Jaime Gaeta, de 1987 até sua partida em 2017. Foi um relacionamento que os dois mantiveram reservado por questões da época, e que veio a público depois da morte do Kid, pelo próprio Jaime, em entrevistas amplamente divulgadas pela imprensa.
Eles viveram juntos num apartamento em São Paulo e criaram um cão chamado Cosmo, tratado como filho. Jaime fez questão de corrigir a imagem do companheiro como alguém isolado. Nas palavras dele, os dois formaram uma família.
Lembrar disso é importante. A história de um artista não se resume ao palco, e respeitar a vida afetiva de quem nos deixou um legado é parte de honrar a memória dele por inteiro. Não cabe a um portal de vinil contar essa história em detalhes, mas cabe não deixar que ela seja apagada.
A despedida
Kid Vinil faleceu em São Paulo, em 19 de maio de 2017, aos 62 anos. A notícia foi sentida por músicos, jornalistas, colecionadores e fãs de várias gerações.
Mas o legado de um pesquisador não morre. Ele fica nos discos que ele apontou, nas bandas que ele revelou e em cada pessoa que aprendeu a ouvir com mais atenção por causa dele.
Por que lembrar dele aqui
O Universo Vinil existe pelo mesmo amor que movia o Kid Vinil: a paixão pela música analógica e pela cultura do disco. Manter viva a memória de quem abriu esse caminho é parte do nosso papel.
Se a história do Kid te inspira a mergulhar no universo do disco, explore o nosso conteúdo sobre garimpo e cultura do vinil. É o melhor jeito de honrar o legado dele: ouvindo, garimpando e descobrindo música.
O Kid continua girando.
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Perguntas Frequentes
Quem foi o Kid Vinil?
Kid Vinil foi o nome artístico de Antônio Carlos Senefonte, músico, radialista, VJ e pesquisador musical brasileiro. Ficou conhecido como vocalista da banda Magazine nos anos 1980 e se tornou uma das maiores referências em cultura pop e pesquisa musical do país.
Qual era a banda do Kid Vinil?
Sua banda mais famosa foi a Magazine, do começo dos anos 1980, com hits como Tic Tic Nervoso, A Gata Comeu e Sou Boy. Antes dela, passou pela Verminose, ligada ao punk e ao rockabilly da cena paulista.
Por que o Kid Vinil era chamado de papa da pesquisa musical?
Por seu conhecimento enciclopédico de música, especialmente do rock. Ele apresentou programas de rádio e TV dedicados a garimpar e divulgar bandas, foi VJ da MTV e escreveu o Almanaque do Rock, reunindo décadas de história do gênero.
Quando o Kid Vinil morreu?
Kid Vinil faleceu em São Paulo, em 19 de maio de 2017, aos 62 anos. Deixou um legado enorme como artista, comunicador e pesquisador da cultura pop brasileira.